Quem são as Antas?

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O espaço é bonito e aprazível. Mas precisa de limpeza, conservação e, sobretudo de dignificação. Esta é a opinião dos poucos visitantes da Anta de Monte Abraão, um monumento nacional votado completamente ao abandono e para onde não está prevista qualquer intervenção nos tempos mais próximos por qualquer entidade estatal, Câmara de Sintra incluída.

O Comércio de Massamá e Monte Abraão foi visitar a Anta. As dificuldades começam logo por a encontrar. Não há qualquer sinalética à entrada da freguesia e a primeira indicação visível foi encontrada junto ao Centro de Saúde que agora é partilhado pelos moradores locais e pelos fregueses de Belas. Seguimos a placa e descobrimos outra na Avenida do Miradouro. “Anta de Monte Abraão”, dizia ela. Subimos a dita artéria e desembocamos no suposto miradouro que dá nome à avenida. Da Anta nem sinal. 

Altura de perguntar aos munícipes onde ficava a dita. Afinal quem tem boca chega a Roma. Neste caso à Anta. Ninguém sabia. Mas um dos moradores lá deu uma pista: “Já ouvi falar, mas nunca lá fui. Acho que fica para ali (indicando um descampado).” Metemos as pernas a caminho, porque não há acesso de carro. Seguimos por uma estrada de terra batida coberta de ervas e frequentada por dejetos caninos, libelinhas, caracóis e outros que tais. Após um percurso de cerca de meio quilómetro lá descobrimos o “famoso” monumento.

Desolador

O espaço em redor da Anta é ocupado por ervas e silvas

O cenário encontrado foi simplesmente desolador. O espaço mais parece um sanitário para as verdadeiras antas. Sim, aqueles animais que parecem uma mistura de porcos com papa-formigas. De monumento nacional pouco. Pichagens em todas as placas megalíticas. Silvas a cobrir parcialmente o antiquíssimo túmulo. Nenhuma identificação. Sinais de conservação inexistentes. Mato à volta. Enfim: um verdadeiro desastre e atentado cultural.

Os comentários que circulam nas redes sociais pecam pela bondade, de que este é apenas um exemplo: “Bom sítio para passear ao ar livre, calmo, bom para levar o seu cão a passear. Partilho da opinião que o local precisa de uma intervenção, hoje fui ao local e foi mais vandalizado do que já estava e este ano depositaram lá entulho com força, o que é triste.” Mas há mais, como o de Filipe Rodrigues: “Não gostei, ao lado da anta tem fezes de cães.”

E a cereja no topo da Anta é colocada por Miguel Dias: “Infelizmente a área em redor é um depósito de entulho. A Anta merecia uma boa intervenção para não acabar destruída assim como todo o espaço envolvente.”

Todos de acordo!

Monumento Nacional?

Na Wikipédia a Anta de Monte Abraão é descrita desta forma. A informação não corresponde totalmente à realidade, mas anda lá perto: “A Anta do Monte Abraão é constituída por uma câmara com 3,6 metros de diâmetro, assente na rocha, restado seis esteios e o chapéu, há muito tempo caído, e um corredor com 2 x 8 metros, orientado a Este.

Constitui a anta mais bem conservada de toda a região de Sintra (esta é para rir), e aquela que tem talvez um acesso mais fácil em termos de visitas (rir ainda mais). Uma característica deste monumento funerário é que as pedras usadas na sua construção são dos arredores, não tendo sido aproveitadas as existentes no local.

O solo também terraplanado foi preparado para a edificação do dólmen. Do seu espólio faz parte uma indústria lítica variada, constituída por placas de xisto, cilindros de calcário, pontas de seta, etc., alguma cerâmica e ossadas humanas.

Parte destes materiais encontra-se no Museu dos Serviços Geológicos de Portugal. É classificada (a Anta) como Monumento Nacional por Decreto de 16/6/1910, DG 136 de 23 de Junho de 1910. O acesso faz-se pelo centro de Monte Abraão, subindo ao cume do monte. Fica junto a uma pedreira abandonada.”

Tal como o velho dólmen, acrescentamos nós…

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