Os veterinários são caros?

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Texto: Dr. João Louro, Médico Hospital Veterinário de Massamá

Nós, médicos veterinários, começamos o percurso profissional quando entramos para a faculdade, sendo que demoramos no mínimo 6 anos a terminar esta jornada. Nesta adquirimos formação nas variadas áreas existentes, ou seja, em pequenos animais (cães e gatos), exóticos (pequenos mamíferos, roedores, répteis e aves), grandes animais (cavalos, grandes ruminantes e pequenos ruminantes), mamíferos marinhos, investigação e outros.

Aprendemos a perceber matérias como a anatomia, fisiologia, patofisiologia das doenças, diagnóstico, tratamento de cada uma das raças e, também, noções básicas sobre a física envolvida nos meios de diagnóstico que usamos como, por exemplo, o raio-x e ecografia. Nestas várias vertentes existem especialidades como a medicina interna, imagiologia, cirurgia, ortopedia, neurologia, etc., indo, na prática, um pouco ao encontro daquilo que se faz na medicina humana.

Como em qualquer medicina e ciência, a formação é contínua. Isto significa que após os seis anos obrigatórios de curso, é necessária mais formação. Os cursos extracurriculares são dispendiosos porém necessários. Claro que mais formação tem subjacente mais investimento e aumento de custos.

Pergunta simples e que quase todos nós fazemos: Qual a razão de uma ida ao veterinário ser tão cara?

IVA implacável

A resposta é simples. Na verdade, a classe veterinária é a única classe da área da saúde que é taxada a 23% de IVA. Pertencemos ao que chamam de “one health”, um conceito criado em 2008 por entidades como a Organização Mundial de Saúde, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura e a Organização Internacional de Epizootias que elaboraram o documento “A guide to establish colaboration between animal and human health at a country sector level”. Trata-se de um manual de implantação da colaboração entre as autoridades governamentais e não-governamentais responsáveis pela sanidade/ saúde animal e humana. De acordo com este protocolo, existem quatro áreas que influenciam a situação sanitária de um determinado território: o ambiente, as questões sociais, a economia e os comportamentos. Justifica-se, assim, a necessidade de colaboração interdisciplinar, visando a melhoria da saúde humana e animal que terá, inevitavelmente, reflexos na qualidade de vida de toda a comunidade.

Apesar deste protocolo, em Portugal todo o serviço veterinário é taxado a 23% em sede de IVA, exclusão feita a alguns medicamentos que são taxados a 6%. A grande verdade é que não existe nenhuma instituição pública que preste cuidados aos animais doentes sem custos associados.

Faça um seguro

Quando um animal chega à consulta, o seu tutor diz-nos qual é o motivo que o leva lá, no entanto, nem sempre a razão que o tutor refere é de facto o problema que o animal detém. Assim sendo, é sempre essencial confirmar com uma anamnese detalhada, com um exame físico (num paciente que não fala) e se necessário com meios de diagnóstico. Consoante as informações obtidas na consulta, nós, no Hospital Veterinário de Massamá, decidimos o que mais se adequa ao caso, se o caso necessita de mais investigação ou tratamento.

Por norma, esta consulta na área de Lisboa tem um custo entre 25 a 45€ em horário normal e 40 a 80€ em horário de urgência. Supondo que precisamos de fazer análises aos nossos animais pacientes, falando em análises mais simples, o custo pode variar entre 5 a 10€ por parâmetro.

Na medicina humana, a não ser que se dirija a um hospital privado, todos os serviços, sejam eles consultas, internamento, meios de diagnóstico, cirurgias ou consultas de especialidade, são suportados pelo Sistema Nacional de Saúde. Assim sendo, o que acaba por pagar não é o custo real do serviço prestado. Como previamente referido, nos animais não existe tal serviço.

Uma questão pertinente é se há forma como contornar isto. Há, através de seguradoras, planos de saúde e certas associações.

De referir porém, e mais importante do que nunca, antes de adquirir um animal e um futuro membro da família, seja adoptado ou comprado, é necessário pensar nos recursos económicos necessários para o manter são.

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