O homem dos sete ofícios

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É preciso calcetar uma rua, mudar uma torneira, assentar uns azulejos, fazer um móvel ou qualquer outro serviço? Então a pessoa certa para isso é Manuel Pereira Marques, de 68 anos. Um verdadeiro faz tudo e sempre à disposição de quem lhe pede ajuda. Natural de Cabeceiras de Basto, no Minho, está a viver em Massamá desde 2006 e a sua simpatia e simplicidade depressa cativaram os vizinhos da Av. Azedo Gneco.

“Tenho cinco irmãs e eu era o único rapaz lá de casa. Comecei a ir para os montes pastar gado com pouco mais de seis anos. Levava comigo uma carcaça e duas peças de fruta e tinha de dar para o dia todo”, recorda este marceneiro de profissão.

Casado com Perpétua Marques, de 64 anos, de quem tem um filho (41 anos), Manuel Marques cedo rumou à capital: “Aos 14 anos deixei a terra e vim trabalhar para Lisboa na construção civil. Depois fiz a tropa em Moçambique, onde fui 1º Cabo. Era radiotelegrafista e aprendi a trabalhar com o Código Morse. No final de 74 regressei a Portugal e em 1975 casei.”

Uma vida atribulada

Na capital a vida de Manuel Marques foi tudo menos calma: “Quando regressei fui viver para o Bairro das Fonsecas e trabalhei no Hotel Penta muitos anos. Depois de casar fomos viver para a Damaia onde estive até 1994 e onde nasceu o meu filho. Depois passamos pelo Casal do Cotão e pelo Cacém, até assentar aqui em Massamá, onde me sinto feliz.”

Em termos de trabalho foi sempre a subir: “A determinada altura da minha vida decidi seguir carpintaria. Comecei como servente de carpinteiro, depois passei a carpinteiro de cofragens e depois para carpinteiro de limpos. Aprendi a fazer assentamentos de portas, janelas, montar fechaduras e formei-me em marcenaria, nomeadamente na vertente de operador de máquinas. Hoje sou carpinteiro, eletricista, canalizador, etc. Ou seja, um faz tudo. Entretanto, como só tinha a 4ª Classe, resolvi estudar, terminei o 12º ano nas novas oportunidades e fiz a Universidade Sénior.”

Das principais obras onde trabalhou recorda a reconstrução do Bairro das Patameiras, onde no século passado uma enorme inundação deixou um rasto de destruição: “Estive a trabalhar nas tubagens por onde passavam os cabos de telefone para restabelecer as comunicações no bairro. Foi um trabalho duro, mas reconfortante, porque sabia que estava a ajudar muita gente.”

E é este espírito de solidariedade e de ajuda que fazem de Manuel Marques uma das pessoas mais queridas da Azedo Gneco e arredores.

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