“Não forneço nada às grandes superfícies”

“Só passa frio quem quer.” A afirmação é de Virgílio Saraiva da Encarnação, de 71 anos, proprietário de um entreposto que há mais de duas décadas vende lenha para todo o país, com incidência em Massamá e Tercena, no concelho de Sintra.

Localizada na Rua Comendador Álvaro Vilela, na fronteira entre os concelhos de Sintra e de Oeiras, a CASA DA LENHA é um misto de vinho do porto. Ali podemos viajar entre os cheiros da lenha nova, pronta a queimar e a arder em escassos minutos, ou optar pela madeira requintada, com mais de vinte anos de secagem, que vai ardendo na lareira lentamente e perfumando a casa com aromas quentes e requintados.

O segredo. Muita dedicação, tratar os clientes com gentileza e aconselhar o produto adequado a cada caso. Pelo meio, Virgílio da Encarnação deixa o recado: “Não forneço lenha às grandes superfícies. Quem quiser um produto de qualidade tem de vir à minha casa ou pedir para eu lhe levar onde quiser, o que faço com todo o gosto. Os grandes supermercados vendem gato por lebre. As pessoas compram eucalipto a pensar que é azinho e nem se apercebem. Levam três quilos de madeira para casa a pagaram cinco. Enfim, é uma concorrência desleal e mentirosa.”

Casa da Lenha orgulha-se de vender a melhor lenha do país

A Qualidade paga-se
Este empresário/lenhador, que também é colecionador de moedas, não faz questão de dizer que vende mais barato do que a concorrência. E assume-o com frontalidade: “Vendo todas as qualidades de madeira. Desde o azinho, que aguenta mais tempo na lareira, ao carvalho, oliveira, pinho, eucalipto, etc. Tenho lenha com vários anos de secagem e lenha do próprio ano. Quem quiser um produto mais fraco leva um saco de 100 quilos por 20 euros, mas quem quiser aquilo a que eu chamo o ´gourmet’, tem de desembolsar 100 euros pelo mesmo peso. Estamos a falar de azinho que eu tenho aqui a secar há mais de 20 anos. A qualidade tem de se pagar.”

Com clientes dom calibre do ex-primeiro-ministro Passos Coelho, o empresário Virgílio coloca o dedo na ferida: “Há muitas pessoas de renome que me compram lenha. Mas eu trato todos da mesma maneira. Aconselho sempre o produto adequado ao que as pessoas querem e não estou focado em vender o melhor ou o pior. Se a pessoa quer lenha para grelhar carne, não vou aconselhar lenha para aquecer a casa. A nossa virtude é que queremos ganhar dinheiro, como é óbvio, mas queremos sobretudo servir bem quem nos procura.”

Oliveiras do Alqueva
Uma coisa que deixa este empresário orgulhoso é a diversidade de madeiras que pode fornecer ao cliente. “Não há nada aqui que eu não tenha. Até oliveiras do Alqueva aqui tenho para fornecer a quem quiser. E o curioso é que a maior parte das pessoas nem sonha que quanto mais envelhecida for a lenha menos ela pesa. Claro que um quilo é sempre um quilo, mas um quilo de algodão tem mais volume que um quilo de ouro”, explica Virgílio da Encarnação entre sorrisos.

Ao olhar para a sua CASA DA LENHA, Virgílio não consegue conter uma lágrima que lhe escapa pelo canto do olho. E emocionado diz: “Está aqui muito trabalho e dedicação. Armazenar toda esta lenha não fica barato. Há grandes superfícies que devem dinheiro a toda a gente e pagam a 90 dias. Eu posso dizer que tudo o que está aqui é meu, está pago e não devo nada a ninguém. Há quem ponha dinheiro a render no banco. Eu ponho a render em madeira. Enquanto ela for ardendo é sinal de que o negócio está a correr bem.”

E Virgílio Saraiva da Encarnação termina com uma mensagem: “Bom Natal e um 2019 bem quente!”­­

Contactos

Vírgílio Saraiva Amaral da Encarnação
Telemóvel: 962069941
Casa da lenha – Rua Comendador Álvaro Vilela
Tercena-Massamá

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *