Na WebSummit também se falou de “fake news”

O debate sobre manipulação de informação juntou no mesmo palco John Saunders, director da Fleishman Hillard – uma das maiores empresas de relações públicas do mundo, e Steve Clemons, editor-chefe da revista The Atlantic.

“As notícias falsas não são uma novidade, embora se tenham intensificado, bastante, em 2016 durante as eleições americanas”, começou por dizer Sauders. Segundo o especialista em relações públicas “o advento da internet veio facilitar a disseminação de notícias falsas”, mas não é um fenómeno novo. Isto foi corroborado por Steve Clemons que lembrou as campanhas da altura da independência dos EUA, onde se usavam as chamadas “scandal sheets”, publicações (muitas vezes escritas à mão) com acusações graves aos governantes ingleses.

Mas Clemons também lembrou a “bolha social”, que muitos utilizadores criam nas redes sociais. “Se nos rodearmos apenas das pessoas que concordam connosco então construímos uma bolha que não permite a entrada de outros pontos de vista”, o que levou John Saunders a concordar e a lembrar que se mantivermos uma “visão do nosso preconceito nunca vamos perder esse preconceito”.

John Saunders (esquerda) e Steve Clemens (direita) discutiram o fenómeno das “fake news”

O que fazer para combater o fenómeno?

Sauders é da opinião que as plataformas tecnológicas têm uma responsabilidade acrescida na questão, ao serem essenciais para impedir a disseminação de informação falsa, mas advertiu  “o Facebook não pode fazer tudo sozinho, os utilizadores estão irritados com a facilidade com que a plataforma foi utilizada para manipular a opinião”. “É importante que as pessoas falem e troquem opiniões”, disse Saunders. “É demasiado fácil retrairmos para uma bolha de opinião única”, que pode condicionar a percepção da realidade à volta de cada um.

A melhor forma, segundo John Saunders e Steve Clemons é “questionar”. “Se algo parece falso, então é capaz de ser falso”.

O fenómeno das “notícias falsas” tem dado que falar um pouco por todo o mundo, incluindo em portugal, onde recentemente uma reportagem do jornalista Paulo Pena, do Diário de Notícias, expôs uma rede de sites portugueses ligado à extrema-direita, dedicado a espalhar falsidades sobre políticos e ficguras públicas. Isto ao mesmo tempo que se fala da influência das “fake news” nos resultados eleitorais no Brasil e na recente campanha para as eleições intercalares nos EUA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *