Na Stuart Carvalhais: Pais e alunos acusam director de prepotência

“Prepotente”, “Não liga aos problemas reais da escola”, “Não fala com ninguém”, “É responsável pela degradação deste estabelecimento”. Estes são alguns dos “mimos” com que o director da Escola Secundária Stuart Carvalhais e também do Agrupamento de Escolas de Massamá é brindado por alunos e representantes dos pais. Rui Gonçalves, o alvo das críticas, apesar de várias vezes solicitado pelo jornal “O Comércio de Massamá e Monte Abraão” para dar uma entrevista relacionada com a gestão do agrupamento escolar não se dignou sequer a responder aos nossos e-mails.

“Enfrentamos uma grande dificuldade”, começa por explicar ao nosso jornal Daniel Ferreira, presidente da Associação de Pais da Escola Secundária Stuart Carvalhais, concretizando: “Existe uma enorme falta de diálogo entre nós e a direcção da escola, nomeadamente com o director, que não assume as suas responsabilidades e tem grandes dificuldades de relações humanas. Nós queremos ajudar, mas essa disponibilidade não é reconhecida pelo director, que este ano até nos impediu de estar presentes nas reuniões de arranque do ano lectivo. Fomos obrigados a ficar à porta dos pavilhões o que, valha a verdade, até acabou por ser benéfico para a associação, porque muitos pais se indignaram e fizeram-se nossos sócios.”

Como exemplo da falta de diálogo, está a falta de informação sobre as obras feitas no estabelecimento de ensino, conforme explica Pedro Matutino, representante dos pais e encarregados de educação no Conselho Geral da Stuart Carvalhais: “No ano passado estavam 50% das casas de banho dos alunos a precisar de obras urgentes. Disseram-nos que seriam feitas obras, mas a verdade é que neste momento não podemos dizer se foram ou não realizadas. Também foram apresentadas listas para a eleição da Associação de Estudantes e vários jovens predispuseram-se a concorrer, mas continuamos à espera da concretização dessas eleições.”

Associação substitui direcção

Elisabete Paulo, vice-presidente da Associação de Pais, salienta o trabalho que tem sido desenvolvido pelos representantes dos pais: “Temos tentado dignificar, por exemplo, o dia da entrega de diplomas aos alunos. É um momento marcante nas suas vidas e durante dois anos assumimos a liderança dessa iniciativa, mas depois fomos excluídos sem qualquer explicação. Felizmente, o representante da Câmara de Sintra no Conselho Geral, Frederico Eça, tem percebido a gravidade da situação e tomado posições que vão de encontro aos anseios de alunos e pais. Nós queremos o envolvimento de todos na escola, pois só assim poderemos esperar bons resultados por parte do elemento fundamental de tudo isto: o aluno. Mas o director ainda não percebeu isso.”

Daniel Ferreira lamenta a falta de iniciativa e critica o argumento alegadamente usado pela Direcção de que não há dinheiro: “Sabemos que há verbas cabimentadas para resolver muitos problemas na escola, mas este director não as usa e se as usa é para fins que não são os mais prioritários. Repare que fomos nós que criamos uma iniciativa para pintar algumas salas de aulas e conseguimos apoios para o fazer. Ou seja, pintamos nós 16 salas. Depois lá apareceu verba para que as restantes salas fossem pintadas. Então, sempre havia dinheiro. Gostava também de salientar que esta associação já homenageou os funcionários da escola, os professores e os alunos e criamos a bolsa de livros. Iniciativas que foram muito gratificantes, mas que deveriam ter partido da direcção. E já, agora, aproveito para convidar todos os pais associados a estarem presentes na nossa Assembleia Geral, no próximo dia 26 de Outubro, pelas 21 horas.”

Ao frio e à chuva

Também os alunos se queixam das condições em que têm as aulas ou esperam por elas: “Somos obrigados a ficar à porta dos pavilhões até chegar o professor. Passamos frio e apanhamos chuva porque os telheiros estão todos partidos. Além disso, as salas de aula estão sempre frias, faltam lâmpadas em muitas delas e várias casas de banho estão avariadas. Para já não falar nos projectores nas salas de aula que estão quase todos avariados”, denuncia Vera (nome fictício), aluna do 11º Ano.

Carlos V., aluno do 12º ano, diz que a degradação chega ao ponto de ter sido remodelado o pavilhão desportivo, “para que ali treine uma equipe de hóquei em patins que era da escola e deixou de ser, mas os patins disponibilizados aos alunos para as aulas de Educação Física estão sempre sujos e bastante danificados.”

Carlos Tomás

Nota da Redacção: O jornal “O Comércio de Massamá e Monte Abraão” mantém o convite ao director do Agrupamento de Escolas de Massamá, Dr. Rui Gonçalves, para que nos dê uma entrevista e dê a sua versão dos factos.

3 comentários em “Na Stuart Carvalhais: Pais e alunos acusam director de prepotência

  1. Rosário paquete

    Finalmente é público. E é verdade. Tudo verdade. A minha filha já saiu dessa escola alguns anos e já se passava essas coisas com esse diretor. Que se acha dono da escola e faz o que quer. Vergonha ainda haver pessoas assim á frente de escolas.

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  2. MMPR

    Em Setembro deste ano efectuei uma exposição a vários serviços do Ministério da Educação acerca dos horário escolares praticados nesta escola, lamentavelmente até ao momento nenhuma resposta (foi ainda remetida acta de reunião ao Director , cuja resposta foi nenhuma) deixo excerto da exposição:

    “(…) mãe e encarregada de educação de…. da área… da Secundária Stuart de Carvalhais do Agrupamento de Escolas de Massamá, sente-se lesada no que se refere ao percurso educativo de…., tendo em consideração o seu horário escolar , já que e salvo melhor opinião, em nada contribui para a promoção do sucesso/estudo, torna impossível a frequência de quaisquer actvidades extracurriculares, quer dentro da escola, que pouco ou nada tem para oferecer, quer fora da escola, nomeadamente …. obstante, ter sido remetido email à Direcção da escola …, ao qual nem sequer se dignou responder…

    Importa então referir, que a Direcção da escola supramencionada, decidiu que aos horários para o ano letivo de 2018/2019 , fossem na totalidade das turmas, da parte …., ou melhor esta decisão foi aprovada em conselho pedagógico, não tendo em consideração quaisquer elementos/interesses individuais do alunos ou extrínsecos à escola, que não sejam o seu próprio interesse e facilitismo, revelando um atitude autista ( com todo o respeito por todos os que dele padecem) totalmente autocentrada, dirimindo-se da responsabilidade de decidir horários mais adequados e justos, impondo uma falsa igualdade, que em nada contribui para o sucesso dos alunos e que os impede de alguma vez conseguirem estar em pé de igualdade com escolas privadas, ou com escolas públicas, que mesmo com cerca de 1500 a 2000 alunos conseguem, brilhantemente, efectuar horários em que todos os alunos, o mais tarde que saem da escola é às 17:00, permitindo tempo para o estudo, atividades, amigos, convívio e família.

    Assim, após ter solicitado informação à escola fui informada na pessoa do Director, que todos os … anos teriam uma horário da parte da …, todavia aquando da sua publicação, no dia 12-09-2018, verifiquei que o horário é algo entre o misto ( 4 dias de manhã e tarde e um dia de tarde) e o absurdo, já que uma das tardes tem 270 minutos de aulas, apenas com um intervalo de 30 minutos, após 2 aulas de manhã. Acrescem ainda, todos os transtornos associados à deslocação para/da escola, 4 vezes por dia ou ficar por lá – local sujo e em estado de degradação, sem possibilidade de ficar dentro dos pavilhões, faça chuva ou sol, com uma biblioteca minúscula e com horário especifico e uma pequena sala de convívio ( feudo de alguns funcionários e como tal com horário variado) e que não permite estudo. Devo dizer, que primeiro passei por uma fase de estupefação, estando neste momento numa de indignação, pois considero que este horário é um insulto para quem pretende e quer mesmo estudar e conseguir um lugar no ensino superior onde as médias são elevadíssimas. Provavelmente passarei à fase de adaptação e/ou de inação, não porque mude de ideias, mas porque nada muda e/ou pela impossibilidade de mudar a minha educanda, quer para outra escola pública com horários decentes e adequados aos interesses dos alunos e não apenas da escola, ou para uma escola privada, face aos montantes praticados. Como tal, a igualdade /oportunidade, só mesmo na inadequação dos horários desta escola, pois o ensino em Portugal, é discriminatório, de Norte a Sul do país, em várias vertentes, tal com acontece nesta escola, em relação a alunos da mesma e de outras escolas.(…)

    Face ao exposto, nomeadamente à inadequação dos horários à discriminação a que …. em relação a alunos em situação idêntica noutras escolas, publicas e privadas, estando-lhe vedada a frequência de outras actividades e aumentada a dificuldade em conciliar horas de estudo, gostaria que esta situação tivesse a melhor atenção e fosse revertida de modo a que todos os alunos tenham um horário adequado, justo e facilitador da integração dos mesmos na sociedade.
    Certa da vossa compreensão aguardo uma resposta tao breve quanto possível.
    Cordiais cumprimentos
    Encarregada de educação”

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