“Licença de maternidade deveria ser de três anos”

Chama-se Luís Cláudio Ferreira dos Santos, tem 60 anos, metade dos quais ao serviço da comunidade católica. Ordenado sacerdote a 3 de Julho de 1988, cedo veio para Queluz, onde começou a desenvolver o seu trabalho na extensão de Massamá.

A sua capacidade de evangelização depressa fez crescer o número de pessoas que procuravam o conforto da palavra de Deus. A autonomia em relação a Queluz acabou por se concretizar em 1992 quando, por decreto do Patriarcado, foi criada a Paróquia de São Bento de Massamá.

A outrora pequena igreja de Massamá deu lugar a um complexo que está sempre cheio de fiéis. Mas isso não deixa satisfeito o padre Luís Cláudio, que é também juiz do Tribunal Patriarcal e assistente Diocesano do Curso de Preparação para o Matrimónio do Patriarcado de Lisboa: “Há muitas pessoas que precisam de assistência pastoral e nós não estamos a responder a essa necessidade. A zona da periferia da paróquia preocupa-me imenso. Repare-se que Massamá Norte pertence à Paróquia de Belas, bem como Campinas, que foi cortada pela auto-estrada. Teria lógica que fossem acompanhadas pela Paróquia de Massamá, o mesmo se passando com Tercena, que depende de Barcarena, que fica a mais de cinco quilómetros. É urgente repensar a zona pastoral. As pessoas não podem ser abandonadas.”

As dificuldades económicas que muitos paroquianos enfrentam é outra preocupação do prior de Massamá: “As pessoas continuam a bater-nos à porta e muitas recorrem ao nosso banco alimentar. Mas essa não é a missão da Igreja. Não queremos criar dependentes da nossa ajuda. Aquilo que fazemos é estudar cada caso e tentar encontrar uma solução. Quando alguém nos pede ajuda vamos a casa dela, vemos o que lhe está a fazer falta e ensinamos a sobreviver com o pouco que têm, nomeadamente com aulas alimentares para aproveitarem os restos de comida.”

A ação da Igreja de Massamá está longe de se confinar às paredes do complexo, conforme explicou o prior: “Na paróquia ajudamos todas as pessoas a terem dignidade sem olhar a credos nem raças. Esta forma de estar e testemunhar é a nossa melhor forma de envangelização e de cultivar o amor a Jesus Cristo. Temos grupos de jovens que vão a lares e creches visitar, animar e levar presentes a crianças que estão para adoção. Também temos um grupo de visitadores que vão às prisões no Natal e na Páscoa, um serviço de rouparia e muito mais.”

Uma mãe deve poder ser mãe
Numa Igreja aparentemente dominada pelos homens, o padre Luís Cláudio coloca os pontos nos “is” e não poupa elogios ao papel das mulheres: “Perante Deus e a Igreja os homens e as mulheres são iguais, mas há uma grandiosidade que só as mulheres podem dar. O poder maternal é fundamental. As mulheres são isso mesmo: o lado maternal de Deus. Infelizmente, a nossa sociedade não entende isso e obriga as mães a entregar os filhos aos infantários quando estes têm três ou quatro meses. Em meu entender, uma mãe devia estar com o filho até este ter pelo menos três anos de idade. São anos fundamentais para ambos e que não se podem recuperar.”

E o juiz do Tribunal Patriarcal vai mais longe, apontando o dedo aos políticos: “Uma mãe deve poder ser mãe, algo que não é possível em Portugal. Não há uma política de maternidade. Quem legisla neste país que pergunte às mães se elas não gostavam de estar com os filhos e de ver o seu papel de progenitora ser dignificado. Não são precisas creches. O que é preciso é que as mães possam cuidar dos filhos. O amor que uma mãe dá é impagável e o seu coração é de uma grandeza infinita. Claro que os pais não se devem demitir das suas funções e o poder paternal é igualmente importante, mas é muito diferente do maternal.”

Confrontado com o facto de as mulheres na Igreja Católica não poderem celebrar missa e ordenados, o padre Luís Cláudio admite que, no futuro, isso possa mudar: “A Igreja está inserida na sociedade e vai evoluindo como ela. Confesso que neste momento não estou preparado psicologicamente para essa mudança, mas a Igreja não é estagna e estou aberto ao que o Espírito Santo nos vai ensinando. A verdade é que a Igreja não distingue homens de mulheres, fala em fiéis e o importante é a relação de cada um com Deus. Todos têm uma missão a desempenhar, mas sempre cientes de que a nossa lei é a lei do amor.”

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