Cuidado com a Toxoplasmose

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Toxoplasmose. Qualquer mulher grávida certamente conhece esta palavra: ela sabe que é uma doença que pode afectar gravemente o seu bebé e provavelmente já ouviu que os gatos são uma das causas de infecção.

Existe um certo alarmismo gerado à volta desta doença com a “diabolização” dos gatos e o consequente afastamento destes amigos de quatro patas do seio familiar. É importante que as mulheres grávidas estejam bem informadas, porém os factos não são sempre transmitidos de maneira correcta pelos profissionais de saúde que as seguem.

Os gatos têm efectivamente um papel importante no ciclo de vida do agente da toxoplasmose mas não são reconhecidos como o principal veículo de infecção. Surpreendido? Falemos então um pouco mais sobre esta doença.

Qual a causa?

A toxoplasmose é causada pelo parasita protozoário Toxoplasma gondii (T. gondii) e afecta mais de 2 milhões de pessoas anualmente na Europa. O T. gondii pode parasitar mamíferos (onde se inclui o Homem) e aves.

Como infecta?

No Homem, a infecção pode ocorrer por via transplacentária (infecção do feto durante a gravidez), pelo contacto com águas ou solos contaminados, pela ingestão de alimentos contaminados, e, em raros casos, através de transfusões de sangue e transplante de órgãos.

A sintomatologia varia consoante o grupo de risco em que a pessoa se enquadra.

Um adulto saudável pode mostrar sinais clínicos ligeiros (aumento dos gânglios linfáticos, febre, mal-estar, dores musculares) ou não apresentar qualquer sintomatologia.

Em pessoas imunocomprometidas, tais como doentes oncológicos, transplantados ou com SIDA, a toxoplasmose pode causar lesões cerebrais, oculares, pulmonares, cardíacas.

No caso das mulheres grávidas que não tenham sido previamente expostas ao parasita (seronegativas), a infecção será sobretudo perigosa para o feto. Quanto mais cedo ocorrer a infecção durante a gravidez, mais graves serão as lesões fetais. A toxoplasmose pode provocar abortos, nados-mortos, nascimento de crianças com deficiências físicas e intelectuais.

A infecção nos gatos

No caso do gato, a infecção faz-se principalmente através do consumo de carne de animais previamente parasitados (predação de aves e ratos, ingestão de carne crua de borrego, porco ou caça). O gato infectado vai eliminar estruturas parasitárias semelhantes a ovos (oocistos) nas suas fezes até três semanas após a infecção. Esses oocistos tornam-se infectantes para outros animais e pessoas entre 1 e 5 dias após a sua excreção para o meio ambiente.

Tal como nas pessoas, a sintomatologia varia consoante a idade e estado imunitário do gato.

Como prevenir?

Conhecendo o ciclo de vida do T. gondii, conseguimos estabelecer medidas preventivas.

– Cozinhar bem a carne e o marisco.
– A congelação das carnes reduz o risco de infecção mas não deve ser uma alternativa à cozedura correcta.
– Descascar e lavar bem frutas e legumes
– Lavar bem qualquer superfície (bancadas, tábuas de corte) que tenha contactado com carne ou marisco cru assim como vegetais e frutas não-lavados.
– Não beber águas não-tratadas.
– Se fizer jardinagem ou mexer em terra ou areia, é preciso usar luvas e lavar as mãos a seguir.
– Impedir o acesso do gato ao exterior (para evitar a predação).
– Não alimentar o gato com carne crua.
– Remover as fezes do areão diariamente (antes que os oocistos se tornem infectantes) e acondicioná-las apropriadamente.
– Designar uma pessoa não-grávida e não-imunocomprometida para fazer a limpeza diária do areão. Se tal não for possível, usar luvas descartáveis e lavar as mãos a seguir.
– Evitar adoptar durante a gravidez gatos cujo estado sanitário seja duvidoso (gatinhos, gatos de rua, etc.).

Consequências

A toxoplasmose pode ter consequências graves na saúde humana, os veterinários estão cientes disso e este artigo não pretende minimizar a doença mas entendemos que a chegada de um filho é um momento especial que não deveria ficar associado a uma situação tão difícil como abrir mão do amigo felino.

O seu veterinário pode ajudar a esclarecer as suas dúvidas. Qualquer decisão tomada importa ser uma decisão informada.

Drª Camille Marques, Médica do Hospital Veterinário de Massamá

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