“Centros de estudo ajudam a formar alunos excelentes”

Entrar na Universidade é o sonho da esmagadora maioria dos estudantes. E, se até há pouco tempo bastava concluir o 12º Ano e ter uma média aceitável, nos últimos dois anos as médias de acesso ao ensino superior público dispararam para notas elevadas, com cursos a exigirem médias acima dos 16 valores. “Ser bom aluno já não chega. É preciso ser-se muito bom ou excelente para ambicionar o acesso ao curso desejado”, garante, ao Comércio de Massamá e Monte Abraão, Graziela Rodrigues, presidente do Sindicato Nacional dos Professores Licenciados.

A responsável por um dos sindicatos de docentes mais representativos do país, não tem dúvidas de que o ensino em Portugal deu um salto: “Com o alargamento do ensino obrigatório até ao 12º Ano, os alunos que antigamente se ficam pelo 9º Ano e enveredavam por outras profissões, agora querem chegar mais longe. Eles pensam, e bem: ‘se estudámos até ao acesso ao ensino superior, qual a razão de ficar à porta e não tirar um curso superior?’. Esta realidade veio alterar o paradigma que existia. Ou seja, há cada vez mais candidatos ao ensino superior e as vagas pouco aumentaram em relação ao passado. Logo as médias de acesso subiram vertiginosamente em praticamente todos os cursos.”

Face a esta nova realidade, Graziela Rodrigues considera que os centros de estudo têm agora uma especial importância na ajuda à preparação dos estudantes: “Não há mais alunos maus ou mais alunos bons. O que existe é uma maior competitividade. Assim, quem se quer preparar para os exames nacionais e conseguir boas médias e quem quer ter boas notas nas disciplinas que frequenta recorre aos centros de estudo que são, na verdade, um excelente complemento às matérias que são dadas nas escolas. Os professores ensinam o mesmo a todos, mas quem quer ser excelente opta, se tiver possibilidades para tal, por aprofundar ainda mais os seus conhecimentos.”

Questionada sobre o arranque do ano escolar, Graziela Rodrigues considera que tudo correu melhor do que no ano passado: “Neste momento os professores estão quase todos colocados. Existem lacunas a nível dos assistentes operacionais ao nível do primeiro ciclo e pré-primário, mas o resto está a funcionar dentro da normalidade. Aquilo que existe é uma falta de reconhecimento enorme por parte do Governo em relação aos professores, que não vem de agora, sendo que tudo aquilo que os docentes exigem é um tratamento igual a todos os outros funcionários da função pública. Os professores não estão desmotivados, mas sim feridos com a forma como têm sido tratados, sendo que todos eles desempenham um papel fulcral para termos um país com mais melhor.”

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