BV Queluz: Anjos da guarda de idosos e animais

Chamam-lhes os “soldados da paz”, devido á nobre missão de combate aos incêndios florestais e urbanos. Mas a sua missão vai muito mais longe. Que o digam os elementos da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Queluz, que não têm mãos a medir, diariamente, para dar apoio a idosos e socorrer animais abandonados ou em perigo. Pelo meio debatem-se com os constantes acidentes de viação no IC-19, CREL e artérias de Queluz, Massamá e Monte Abraão.

“Somos chamados a ocorrências de vários géneros e tentamos dar resposta a todas”, diz Artur Paulo

Artur Paulo, de 45 anos, entrou nos Bombeiros de Queluz com apenas 14 primaveras. Uma vida ao serviço da comunidade. É ele que nos explica a realidade actual desta associação: “Somos uma corporação que abrange uma área relativamente pequena, mas com imensos problemas. Desde logo porque temos uma população bastante envelhecida e, por outro lado, porque a malha urbana é muito densa e com imensa população. Há dias em que se torna muito complicado responder a todas as ocorrências, porque somos muito poucos para tanto serviço.”

E o adjunto de comando concretiza: “Temos um quadro de bombeiros que ronda os 20 elementos por turno, mas se tivéssemos 50 não eram demais. Claro que contamos com os voluntários, mas esses não são certos, porque têm as suas vidas pessoais e profissionais. Mas repito, há dias em que é muito complicado dar vazão a tudo.”

E este responsável exemplifica: “Há dias estávamos a apagar um fogo numa viatura que se incendiou na Rua da Milharada, em Massamá, e logo a seguir recebemos o alerta de um incêndio num prédio. Por coincidência foi na mesma rua e conseguimos desviar os meios a dar resposta às duas situações. Felizmente era um pequeno foco de incêndio numa varanda. Mas a verdade é que se o fogo fosse em Monte Abraão, a situação teria sido muito mais complicada.”

Os acidentes de viação são uma constante dor de cabeça para esta corporação: “Não há dia nenhum em que não ocorra pelo menos um acidente grave no IC-19, nomeadamente junto à curva do palácio. Felizmente que agora, com a instalação de radares de controlo de velocidade naquela zona, a situação melhorou. Quando há um acidente naquela via, os automobilistas tentam fugir por dentro, ou seja, pelo centro de Queluz. Resultado, as principais artérias ficam entupidas e nós, como também fazemos diariamente transporte de doentes para tratamentos médicos, ficamos com as ambulâncias retidas no tráfego e não são raras as vezes em que os doentes, muitos deles urgentes, acabam por chegar tarde aos locais de tratamento ou de socorro.”

Foto: RR (Direitos Reservados)

E Artur Paulo vai mais longe: “Com as vias que existem é quase impossível, em horas de ponta, ir de Queluz a Massamá, por exemplo, em menos de 15 a 20 minutos. Tentamos sempre ir por vias onde exista menos movimento, mas há horas em que o trânsito está compacto em todas as artérias. É uma zona com muitas pessoas e com poucas vias de escoamento do trânsito.”

Apoio a idosos

Além do apoio aos doentes, da prontidão no combate a incêndios e da resposta a acidentes de viação, as tarefas dos bombeiros multiplicam-se nas pequenas ocorrências: “Somos chamados para abrir portas, para pequenas inundações em casas e até por causa de buracos na estrada. Nós não temos nada a ver com essas situações. As pessoas devem perceber que só devem chamar os bombeiros em situações de real emergência. Uma inundação na cozinha não é tarefa para os bombeiros, mas sim para as empresas de canalização.”

O adjunto de comando salienta que os bombeiros acabam também por ser o “ombro amigo” dos muitos idosos que residem na sua zona de actuação: “Queluz, Massamá e Monte Abraão têm uma população idosa muito significativa e muitas vezes somos chamados a casa por idosos que dizem estar doentes, mas que na verdade apenas querem um ombro amigo para desabafar e conversar. Claro que damos esse apoio, mas não é a nossa função. Assim como não é nossa função avaliar se um prédio ou um muro corre o risco de desabar. Isso é trabalho da Protecção Civil.”

Mais mulheres

E o mesmo se passa em relação ao socorro a animais: “Somos chamados constantemente para socorrer animais em perigo. Sobretudo gatos que fogem de casa e se penduram em árvores. Também nos chamam para resgatar animais abandonados na via pública e até já temos uma coisa a que chamamos a “gaiola do gatinho”. Resgatamos gatos que colocamos na gaiola e divulgamos nas redes sociais que o encontramos. Depois é esperar que alguém o venha reclamar. Muitas vezes os donos aparecem. Quando isso não acontece temos de dar o animal aos serviços camarários que tratam dessas situações.”

Artur Paulo afirma que os Bombeiros estão bem servidos de meios materiais: “Temos bons carros de combate a incêndios e de desencarceramento. As nossas ambulâncias têm menos de três anos. Não nos podemos queixar disso. Faltam é mais bombeiros nos nossos quadros, mas infelizmente não há dinheiro para contratar.”

Uma revelação dada por Artur Paulo é que existem cada vez mais mulheres a quererem ser bombeiras: “Há cada vez mais mulheres a quererem ingressar nos bombeiros e com idades compreendidas entre os 16 e os 18 anos. Aliás, uma das grandes necessidades da associação é alargar as camaratas e os balneários para bombeiras. Dentro de poucos anos e com este ritmo teremos aqui mais mulheres do que homens.”

Carlos Tomás

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