Bairro 1º de Maio reclama mais atenção

Em redor do Bairro 1º de Maio, também conhecido como o “Bairro da Caixa”, um conjunto de prédios de habitação social situado no alto da freguesia de Monte Abraão, as ervas daninhas continuam a proliferar, apesar de algumas zonas terem dado lugar a hortas comunitárias. No início do século, alguém prometeu que aqueles espaços baldios seriam destinados a flores e arbustos. Mas as promessas são levadas pelo vento que naquela zona sopra sempre com grande intensidade.

O presidente da Freguesia de Massamá e Monte Abraão, Pedro Brás, desde há muito que reclama da autarquia mais atenção para os espaços degradados do Monte Abraão, no que é acompanhado de perto pelas queixas dos moradores. O bairro foi em tempos responsabilidade do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social (IFGSS), mas agora é gerido pela autarquia de Basílio Horta.

Segundo Pedro Brás, as reclamações junto da edilidade não têm caído em saco roto e muito tem sido feito naquela zona nos últimos anos: “Além da requalificação de um parque infantil e de um campo polidesportivo – na rua Diogo Cão -, todas as lojas desocupadas foram preenchidas por instituições com fins sociais, nomeadamente pela associação de moradores locais, pela Loja Solidária, por uma sociedade filarmónica, pelos “motards”, pela Casa da Guiné, pelos Amigos de Angola, por um espaço de bem-estar comunitário e até por um cabeleiro. Os baldios foram preenchidos com 90 hortas comunitárias. Estamos a fazer tudo para devolver a dignidade que os moradores do bairro merecem.” 

António Alves, empresário, exige mais policiamento

Falta de segurança
Os moradores, na sua maioria oriundos das ex-colónias (conhecidos como “retornados”), reconhecem que nem tudo é mau. Mas apontam o dedo a falhas que eram facilmente resolvidas. E António Alves, de 50 anos, trinta dos quais a residir no bairro, dá o exemplo: “Sou dono da Gelataria Sonho Tropical e acho que muita coisa se resolvia se houvesse mais policiamento. Há assaltos constantes aqui no bairro e isso afasta as pessoas. Não é bom para ninguém. Se a PSP passasse mais vezes acredito que quase todas as ocorrências desapareciam e as pessoas deixavam de ter medo de frequentar o bairro, como agora acontece. Além disso, fizeram aqui o parque infantil e ninguém se lembrou de colocar um simples chafariz para as crianças beberem água. Resultado? Vão todas ao meu estabelecimento pedir água. No Verão chegam a fazer fila. Sei que um copo de água não se nega a ninguém, mas eu dou milhares de copos de água por mês…”

Gracinda Paixão, de 79 anos, mora no 1º de Maio desde 1975. Não poupa críticas aos autarcas: “São todos uma “cambada” de mentirosos. Prometem fazer isto e aquilo, mas depois plantam umas flores aqui ou ali e pensam que está tudo bem. Mas não está. O bairro está cada vez mais degradado. Só para ter uma ideia, eu moro na Rua Pedro de Sintra, onde funciona a Associação de Moradores do Bairro 1ª de Maio e já estamos sem iluminação pública há oito dias.”

Rodrigo Azevedo, de 78 anos, é a voz do conformismo: “Não há nada a fazer aqui. Este bairro tem prédios da câmara, outros de privados e a maioria arrendados. Os condóminos não conseguem gerir os condomínios porque ninguém sabe a quem exigir dinheiro. E empurram uns para os outros. Resultado: fica tudo ao abandono e a degradação é maior a cada dia que passa.”

A Iris pode patinar sem o risco de “ficar toda esfolada”

A voz da esperança
Mas há quem acredite que as coisas vão melhorar. A pequena Iris, com apenas 11 anos, foi experimentar os patins ao remodelado parque de diversão infantil. Acompanhada da avó, Manuela Miranda, mais conhecida na zona como a “madeirense”, por ser natural do Funchal, diz inocentemente: “Esta obra foi boa. Posso patinar aqui sem problemas de cair porque o chão é mole (tartan). Antigamente, com a areia, ficava toda esfolada.”

As lágrimas escorreram pelos olhos da avó. E a madeirense lá desabafou em voz rouca: “Sabe, senhor, ela é a voz da esperança e quem me dá vida!” 

Numa rua ao lado, a Bartolomeu Dias, os patos grasnavam, as galinhas cacarejavam e o galo cantava… 

Patos, galinhas e galos são “transeuntes” habituais da Rua Bartolomeu Dias

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